5.6.08

merda orgânica

...onde está meu amor?
Ele sabe onde está
fugiu de mim
me deixando aqui,
sozinho.

Não tem problema.
É muito fácil
te encontrar
seja na fila do cinema
e - principalmente -
na fila do bar.

ar!

eu precisava mesmo disso
tempo pra se arrepender
de ter me procurado
enquanto encontrava você.

Sou o que sou
és o que és
em vez disso
ao invés
viés.

Costumo caminhar do lado direito do meu cérebro.

21.5.08

bem-te-vi

Falo sério
sem mistério
deletério impopular.

Falo claro
sempre raro
quando calo
sei falar.

Fico mudo
todo mundo
me pergunta se quero dizer.

Calo, falo,
vôo, fácil,
difícil de prender.

19.5.08

cancro manco

Quero correr
e não tenho mais pernas.
Quero fugir
e não vejo caminhos.
Quero dizer
e não encontro palavras.
Quero matar
e não tenho mais fome.

9.5.08

de: para:


Chega de tortura
vou ceder à loucura
de me alimentar

sonhos,

devaneios da alma
que ferem a calma.

Sadismos,
assassinatos,
masoquismos,
concubinatos...

Vontades reprimidas pela Moral.
Ilusão de real.

Gritos revoltosos dizem não!

Fazem parte do esquema.
Seguem orientação.
Marionetes de pensamento-padrão.

de família,
de vida,
subversão.


5.5.08

A universidade deve ser um centro crítico, a semente da mudança. Nossa sociedade, contudo, é acrítica e se recusa a mudar. Qual pode ser meu destino? Renunciar às minhas idéias, admitir que são um sarampo juvenil e aceitar os fatos inalteráveis de uma sociedade mumificada transformando-me eu também em múmia, sentado até a morte em um conselho de administração capitalista ou em um escritório burocrático? Ou transformar-me em professor para continuar ensinando, sem trair meus princípios, as idéias revolucionárias a uma nova geração que, por sua vez, deverá renegá-las para encontrar um cargo remunerado na hierarquia da ordem?

Carlos Fuentes, "Em 68", ed. Rocco

29.4.08

A impaciência me domina, continuo querendo o que não posso ter, sinto-me estranho; não posso abandonar tudo e seguir com os desejos d'alma, sou matéria bruta e devo aceitar o fardo de querer o que não posso tocar. Ficar parado, aguardando, não necessariamente é ruim, desde que o mundo ao meu redor se movimente e eu, diante do inevitável, altere meus pontos de vista.

22.4.08

Aonde quer que vá,
em qualquer caminho,
estarei sozinho.

Sem desdém, nem vintém,
cada um tem o que merece:
a vida nasce todos os dias.

14.4.08

Escolhido um tema, por meio das excitações psíquicas e fisiológicas sabidas, preparar e esperar a chegada do estado de poesia. Se este chega (quantas vezes nunca chegou...), escrever sem coação de espécie alguma tudo o que me chega até a mão - a "sinceridade" do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho penoso e lento da arte - a "sinceridade" da obra-de-arte, coletiva e funcional, mil vezes mais importante que o indivíduo.

Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942