Quero correr
e não tenho mais pernas.
Quero fugir
e não vejo caminhos.
Quero dizer
e não encontro palavras.
Quero matar
e não tenho mais fome.
19.5.08
9.5.08
de: para:
Chega de tortura
vou ceder à loucura
de me alimentar
devaneios da alma
que ferem a calma.
assassinatos,
masoquismos,
concubinatos...
Ilusão de real.
Fazem parte do esquema.
Seguem orientação.
de vida,
subversão.
5.5.08
A universidade deve ser um centro crítico, a semente da mudança. Nossa sociedade, contudo, é acrítica e se recusa a mudar. Qual pode ser meu destino? Renunciar às minhas idéias, admitir que são um sarampo juvenil e aceitar os fatos inalteráveis de uma sociedade mumificada transformando-me eu também em múmia, sentado até a morte em um conselho de administração capitalista ou em um escritório burocrático? Ou transformar-me em professor para continuar ensinando, sem trair meus princípios, as idéias revolucionárias a uma nova geração que, por sua vez, deverá renegá-las para encontrar um cargo remunerado na hierarquia da ordem?
Carlos Fuentes, "Em 68", ed. Rocco
Carlos Fuentes, "Em 68", ed. Rocco
29.4.08
A impaciência me domina, continuo querendo o que não posso ter, sinto-me estranho; não posso abandonar tudo e seguir com os desejos d'alma, sou matéria bruta e devo aceitar o fardo de querer o que não posso tocar. Ficar parado, aguardando, não necessariamente é ruim, desde que o mundo ao meu redor se movimente e eu, diante do inevitável, altere meus pontos de vista.
22.4.08
14.4.08
Escolhido um tema, por meio das excitações psíquicas e fisiológicas sabidas, preparar e esperar a chegada do estado de poesia. Se este chega (quantas vezes nunca chegou...), escrever sem coação de espécie alguma tudo o que me chega até a mão - a "sinceridade" do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho penoso e lento da arte - a "sinceridade" da obra-de-arte, coletiva e funcional, mil vezes mais importante que o indivíduo.
Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942
Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942
10.4.08
Ele disse, eu fiquei calado. Merece aplausos fervorosos. Conseguiu arrancar-me um sorriso no momento em que mais temia o choro desprevinido. Surpreendido, deixei-me expirar bons ventos. Creio que sua força, inabominável, me lançará noutros oceanos. Eu, barco à vela, sigo desgovernado; sem leme ou âncora, prossigo como as aves aos ventos e os peixes às correntezas. Incertezas serão validadas por minhas proezas limitadas.
1.4.08
pequenos detalhes
- Não vai me mostrar?
- Tá bom. Eu mostro. Mas rapidinho.
Ela se vira devagar, e, enquanto a observo, vejo o desenho da calcinha fininha marcando a calça.
- Cadê?
- Calma, safadinho, não vai me ajudar?
Piranha. Sempre me provocando. Olho calado ela soltar o laço da calcinha. Branquinha, novinha.
- Senta no meu colo, vem.
- Você me ama?
- Amo.
- Que bom, eu também. É por isso que a gente se dá bem, a gente convive bem.
Só assim ela me convencia de que valia mesmo alguns minutos de conversa.
- Tá bom. Eu mostro. Mas rapidinho.
Ela se vira devagar, e, enquanto a observo, vejo o desenho da calcinha fininha marcando a calça.
- Cadê?
- Calma, safadinho, não vai me ajudar?
Piranha. Sempre me provocando. Olho calado ela soltar o laço da calcinha. Branquinha, novinha.
- Senta no meu colo, vem.
- Você me ama?
- Amo.
- Que bom, eu também. É por isso que a gente se dá bem, a gente convive bem.
Só assim ela me convencia de que valia mesmo alguns minutos de conversa.
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