Aonde quer que vá,
em qualquer caminho,
estarei sozinho.
Sem desdém, nem vintém,
cada um tem o que merece:
a vida nasce todos os dias.
22.4.08
14.4.08
Escolhido um tema, por meio das excitações psíquicas e fisiológicas sabidas, preparar e esperar a chegada do estado de poesia. Se este chega (quantas vezes nunca chegou...), escrever sem coação de espécie alguma tudo o que me chega até a mão - a "sinceridade" do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho penoso e lento da arte - a "sinceridade" da obra-de-arte, coletiva e funcional, mil vezes mais importante que o indivíduo.
Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942
Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942
10.4.08
Ele disse, eu fiquei calado. Merece aplausos fervorosos. Conseguiu arrancar-me um sorriso no momento em que mais temia o choro desprevinido. Surpreendido, deixei-me expirar bons ventos. Creio que sua força, inabominável, me lançará noutros oceanos. Eu, barco à vela, sigo desgovernado; sem leme ou âncora, prossigo como as aves aos ventos e os peixes às correntezas. Incertezas serão validadas por minhas proezas limitadas.
1.4.08
pequenos detalhes
- Não vai me mostrar?
- Tá bom. Eu mostro. Mas rapidinho.
Ela se vira devagar, e, enquanto a observo, vejo o desenho da calcinha fininha marcando a calça.
- Cadê?
- Calma, safadinho, não vai me ajudar?
Piranha. Sempre me provocando. Olho calado ela soltar o laço da calcinha. Branquinha, novinha.
- Senta no meu colo, vem.
- Você me ama?
- Amo.
- Que bom, eu também. É por isso que a gente se dá bem, a gente convive bem.
Só assim ela me convencia de que valia mesmo alguns minutos de conversa.
- Tá bom. Eu mostro. Mas rapidinho.
Ela se vira devagar, e, enquanto a observo, vejo o desenho da calcinha fininha marcando a calça.
- Cadê?
- Calma, safadinho, não vai me ajudar?
Piranha. Sempre me provocando. Olho calado ela soltar o laço da calcinha. Branquinha, novinha.
- Senta no meu colo, vem.
- Você me ama?
- Amo.
- Que bom, eu também. É por isso que a gente se dá bem, a gente convive bem.
Só assim ela me convencia de que valia mesmo alguns minutos de conversa.
25.3.08
Discute-se o passado entre os que não vêem o futuro. Crise é não saber o que mudar nem de que modo. Não adianta moldar raciocínios complexos, há muito houve a implosão de sentido, o caos. Hoje, vive-se entre escombros à cata de relíquias iluministas. Injustiça querer a crítica despropositada? Não creio. Cansei-me de argumentações fundadas em palavras reescritas; quero criar o novo, sem constantes referências ao que já não é mais. A cidade é o sonho do labirinto, e minha consciência é infinita.
19.3.08
13.3.08
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