16.5.07

coisa batida

Estive ausente, não nego, mas posso me explicar. Extremamente ocupado com procedimentos de admissão da minha coragem, adaptando-me aqui e ali aos bons e maus ventos, investi-me em mares bravios, enfrentei tempestades, alcancei (diversas vezes) o limite do meu medo. Resultado: nunca pensei que dentro de mim vivesse um abismo, inexplorado, que só a luz da minha consciência alumia. Frase de efeito: o medo existe para que demonstremos coragem.

3.5.07

Pirraça


Fingir infância. Brincadeira de criança adulta.

21.4.07

Meu corpo tem sua alma


Pela primeira vez, sinto.

E, logo depois,
necessidade de descrever,
momento de reflexão, pane,
processando os sentimentos e computando os resultados.

Não apenas sentindo como também entendendo.

O desejo de me ter é inencontrável,
e o sentimento, instantâneo, é explodir, denotar vida.

E eu, remexido pelos pensamentos e aguardando minha atenção,
momento de concentração plena,
quando o coração transfere ao cérebro
a responsabilidade de me garantir o instinto.

Deixo-me enganar por incertas conclusões imaginadas
a respeito de tudo que já soube sobre mim mesmo,
sentindo-me uma vez mais fraco, acabado
e cansado de auto-enganação.

15.4.07

Em mãos


Se quero fugir de tudo,
tenho que imaginar um qualquer caminho.
De nada adiantaria sair de fininho,
tenho responsabilidades.

Melhor é ficar por aqui mesmo,
restabelecendo meus critérios.
Viver é bom, embora falar seja mais fácil.

Por que tento acreditar
que devagar vagando eu chego lá?
Basta perseverar e seguir adiante
que o mundo é grande e eu não sou tão pequeno?

Importante mesmo é não me indecidir entre tantos caminhos.

12.4.07

Ser humano

1. É ser capaz de organizar a informação em grandes e complexas estruturas de conhecimento;
2. É localizar-se em um plano temporal e ter uma imagem de passado, presente e futuro;
3. É ter consciência das relações tais como causa e efeito, contigüidade e sucessão, ciclos de variações e de repetição;
4. É ter consciência de si mesmo. Nós não apenas sabemos, mas sabemos que sabemos;
5. É poder reagir não apenas a estímulos imediatos mas também a uma imagem de futuro, filtrada através de um elaborado sistema de valores;
6. Graças à linguagem e à sua capacidade de guardar informação, o ser humano é capaz de organizar sua experiência para estender ainda mais o seu conhecimento;
7. É ter capacidade de aprender ilimitadamente sem necessariamente depender de mensagens de fora. Por meio da sua imaginação, o ser humano é capaz de crescer internamente;
8. Devido à sua capacidade de comunicar-se de forma abstrata e de viver na imaginação a vida dos outros (pela empatia), o ser humano pode construir organizações muito maiores e mais complexas que as demais sociedades de animais.

15.3.07

Danado de bom

Por que o Sol saiu
Por que seu dente caiu
Por que essa flor se abriu
Por que iremos viajar no verão
Por que aqui o mundo não será cão

Quando o Goodzila atacar
Quando essa febre baixar
Quando o mamute voltar
Descongelado a caminhar na Sibéria
Quando invento, o mundo é feito de idéias

O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião

Como escrever certo o seu nome
Como comer se der fome
Como sonhar pra quem dorme
E deixa o cansaço acalmar lá em casa

Como soltar o mundo inteiro com asas
Tiranossauro Rex tião
Dentro dos seus olhos virão
Monstros imaginários ou não
Por sorte somos todos os infernais
E agora eu vivo em paz

O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião

O mundo é bão, o mundo é bão
O mundo é bão, o mundo é bão

"O mundo é bão, Sebastião", Nando Reis

Ora essa

Nádegas a declarar, por ora.

(repetir o mantra sempre que uma merda bem fedida estiver na sua mão e você não souber o que fazer com ela)

12.3.07

Considerações finais

Gostaria de convidá-los, todos, para o cerimonial em homenagem ao filósofo "do nada" francês, Jean Beaudrillard. Fui apresentado ao seus textos nos primeiros períodos de faculdade, ainda no início deste século, e me senti contagiado. O cara é do tipo "curto e grosso". Sem jamais titubear.

Baudrillard morreu na terça passada, 06.03. Amanhã faz sete dias que "o cara" se foi. Em sua homenagem (e certo de seu correspondente respeito, caro leitor), dedico trechos do texto de Gilles Lapouge, correspondente do Estadão em Paris, publicado no caderno de cultura ontem. Parafraseando Guimarães Rosa, é tudo vupt-vapt.

Não só tudo aquilo que se refere a "transcendente" desapareceu dos nossos horizontes, mas também a própria definição da realidade objetiva se afugentou, o que é testemunhado pela predominância das representações virtuais do mundo sobre as noções de sentido e verdade. (...) Nessa proliferação de sinais, simulacros, imagens e clones, a grande vítima é a realidade, cujo desaparecimento foi anunciado por Baudrillard, da mesma maneira que outros filósofos, antes dele, anunciaram também o fim das ideologias, o "fim da história", ou a morte de Deus, ou enfim, como Foucault, "a morte do homem". Nessa seqüência catastrófica, Baudrillard foi mais longe que qualquer um. (...) Mesmo que se opusesse a isso, ele se situa entre os "niilistas" modernos, pois pode-se ir mais longe na contemplação do nada do que negar a "realidade do real"?