parado, na pista, cansado de correria.
mas enquanto houver fôlego estou no páreo.
não quero ser o primeiro e nem serei secundário.
só quero o que mereço por correr tão apressado.
não me diga que você sabe por que está correndo. ninguém sabe.
a vida não é uma linha
a vida não é um ponto numa linha
a vida não tem início nem fim.
ela é só um meio.
não gosto de nada pela metade. ou tudo é, ou nada.
subdivisões não me convencem.
talvez por isso eu seja tão apressado.
gosto de sentir o gosto do começo,
mas também aprecio o sabor do bagaço.
um dia eu chego lá. nem que lá seja longe.
eu nunca sei mesmo quando estou perto.
não corro de olhos fechados, senão tropeço
corro de mente aberta e coração.
não, não quero ser campeão.
só sei que quero chegar bem longe. e que não fico. nem lá, nem aqui.
8.10.08
19.8.08
por que eu não sou prosaico
Que ninguém me contradiga
sou capaz de comprar briga
(mas prometo manter-me quieto).
Correto?
Jamais.
Quem tem paz conhece o inferno
interno
cutâneo,
a correr nas veias
e outras delongas mais.
sou capaz de comprar briga
(mas prometo manter-me quieto).
Correto?
Jamais.
Quem tem paz conhece o inferno
interno
cutâneo,
a correr nas veias
e outras delongas mais.
5.8.08
15.7.08
1.7.08
gozação
Dois corpos nus, entrelaçados, curtindo o gozo. Mais fácil dizer que se amaram, plenamente satisfeitos com a entrega dos corpos nus. Os odores dos sexos denotam intimidade, ela ainda a tremer com os arrepios que meus duros lábios provocavam ao percorrer cantos inexplorados. Instintos de macho dominam todos meus atos. Como fêmea sendo cortejada, ela movimenta o corpo com suavidade, numa dança afrodisíaca vibrante. Vítima de um impulso, rasguei nossas roupas e nos entreguei aos toques e carícias de mãos ainda pouco habituadas com o novo. Mas o cuidado é o combustível do orgasmo; gentilezas nas genitálias levam à erupção, jorro do mais puro prazer. Nós dois, satisfeitos, olhamo-nos nos olhos.
29.6.08
24.6.08
14.6.08
Todos olham como se minha natureza fosse exótica. Parecem querer ver em meus olhos as poucas mensagens que tenho para registrar em palavras pobres. Daí quererão traduzir minhas doidices, interpretar divagações, classificar-me num estilo qualquer. Doces humanos, reles regentes de palavras sinceras, ombro amigo. Deixo-me levar...
5.6.08
merda orgânica
...onde está meu amor?
Ele sabe onde está
fugiu de mim
me deixando aqui,
sozinho.
Não tem problema.
É muito fácil
te encontrar
seja na fila do cinema
e - principalmente -
na fila do bar.
ar!
eu precisava mesmo disso
tempo pra se arrepender
de ter me procurado
enquanto encontrava você.
Sou o que sou
és o que és
em vez disso
ao invés
viés.
Costumo caminhar do lado direito do meu cérebro.
Ele sabe onde está
fugiu de mim
me deixando aqui,
sozinho.
Não tem problema.
É muito fácil
te encontrar
seja na fila do cinema
e - principalmente -
na fila do bar.
ar!
eu precisava mesmo disso
tempo pra se arrepender
de ter me procurado
enquanto encontrava você.
Sou o que sou
és o que és
em vez disso
ao invés
viés.
Costumo caminhar do lado direito do meu cérebro.
21.5.08
bem-te-vi
Falo sério
sem mistério
deletério impopular.
Falo claro
sempre raro
quando calo
sei falar.
Fico mudo
todo mundo
me pergunta se quero dizer.
Calo, falo,
vôo, fácil,
difícil de prender.
sem mistério
deletério impopular.
Falo claro
sempre raro
quando calo
sei falar.
Fico mudo
todo mundo
me pergunta se quero dizer.
Calo, falo,
vôo, fácil,
difícil de prender.
19.5.08
cancro manco
Quero correr
e não tenho mais pernas.
Quero fugir
e não vejo caminhos.
Quero dizer
e não encontro palavras.
Quero matar
e não tenho mais fome.
e não tenho mais pernas.
Quero fugir
e não vejo caminhos.
Quero dizer
e não encontro palavras.
Quero matar
e não tenho mais fome.
9.5.08
de: para:
Chega de tortura
vou ceder à loucura
de me alimentar
devaneios da alma
que ferem a calma.
assassinatos,
masoquismos,
concubinatos...
Ilusão de real.
Fazem parte do esquema.
Seguem orientação.
de vida,
subversão.
5.5.08
A universidade deve ser um centro crítico, a semente da mudança. Nossa sociedade, contudo, é acrítica e se recusa a mudar. Qual pode ser meu destino? Renunciar às minhas idéias, admitir que são um sarampo juvenil e aceitar os fatos inalteráveis de uma sociedade mumificada transformando-me eu também em múmia, sentado até a morte em um conselho de administração capitalista ou em um escritório burocrático? Ou transformar-me em professor para continuar ensinando, sem trair meus princípios, as idéias revolucionárias a uma nova geração que, por sua vez, deverá renegá-las para encontrar um cargo remunerado na hierarquia da ordem?
Carlos Fuentes, "Em 68", ed. Rocco
Carlos Fuentes, "Em 68", ed. Rocco
29.4.08
A impaciência me domina, continuo querendo o que não posso ter, sinto-me estranho; não posso abandonar tudo e seguir com os desejos d'alma, sou matéria bruta e devo aceitar o fardo de querer o que não posso tocar. Ficar parado, aguardando, não necessariamente é ruim, desde que o mundo ao meu redor se movimente e eu, diante do inevitável, altere meus pontos de vista.
22.4.08
14.4.08
Escolhido um tema, por meio das excitações psíquicas e fisiológicas sabidas, preparar e esperar a chegada do estado de poesia. Se este chega (quantas vezes nunca chegou...), escrever sem coação de espécie alguma tudo o que me chega até a mão - a "sinceridade" do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho penoso e lento da arte - a "sinceridade" da obra-de-arte, coletiva e funcional, mil vezes mais importante que o indivíduo.
Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942
Mário de Andrade, "O Movimento Modernista", 1942
10.4.08
Ele disse, eu fiquei calado. Merece aplausos fervorosos. Conseguiu arrancar-me um sorriso no momento em que mais temia o choro desprevinido. Surpreendido, deixei-me expirar bons ventos. Creio que sua força, inabominável, me lançará noutros oceanos. Eu, barco à vela, sigo desgovernado; sem leme ou âncora, prossigo como as aves aos ventos e os peixes às correntezas. Incertezas serão validadas por minhas proezas limitadas.
1.4.08
pequenos detalhes
- Não vai me mostrar?
- Tá bom. Eu mostro. Mas rapidinho.
Ela se vira devagar, e, enquanto a observo, vejo o desenho da calcinha fininha marcando a calça.
- Cadê?
- Calma, safadinho, não vai me ajudar?
Piranha. Sempre me provocando. Olho calado ela soltar o laço da calcinha. Branquinha, novinha.
- Senta no meu colo, vem.
- Você me ama?
- Amo.
- Que bom, eu também. É por isso que a gente se dá bem, a gente convive bem.
Só assim ela me convencia de que valia mesmo alguns minutos de conversa.
- Tá bom. Eu mostro. Mas rapidinho.
Ela se vira devagar, e, enquanto a observo, vejo o desenho da calcinha fininha marcando a calça.
- Cadê?
- Calma, safadinho, não vai me ajudar?
Piranha. Sempre me provocando. Olho calado ela soltar o laço da calcinha. Branquinha, novinha.
- Senta no meu colo, vem.
- Você me ama?
- Amo.
- Que bom, eu também. É por isso que a gente se dá bem, a gente convive bem.
Só assim ela me convencia de que valia mesmo alguns minutos de conversa.
25.3.08
Discute-se o passado entre os que não vêem o futuro. Crise é não saber o que mudar nem de que modo. Não adianta moldar raciocínios complexos, há muito houve a implosão de sentido, o caos. Hoje, vive-se entre escombros à cata de relíquias iluministas. Injustiça querer a crítica despropositada? Não creio. Cansei-me de argumentações fundadas em palavras reescritas; quero criar o novo, sem constantes referências ao que já não é mais. A cidade é o sonho do labirinto, e minha consciência é infinita.
19.3.08
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